quinta-feira, 31 de maio de 2018

CORPUS CHRISTI: comunhão com Cristo, comunhão com o universo


“Jesus tomou o pão e, tendo pronunciado a benção, partiu-o e entregou-lhes, dizendo: ‘Tomai, isto é o meu corpo” (Mc 14,22)

Na celebração da festa de Corpus Christi, corremos o risco de honrar o Corpo de Jesus, mas desprezar o corpo humano, “ a carne de Cristo”. Participamos, com muita fé, dedicação e respeito, das celebrações do “Corpo de Cristo”, mas pode ser que, às vezes, façamos uma profunda cisão ou ruptura entre o que celebramos e a realidade que nos cerca, ou seja, o encontro com os corpos desfigurados”: explorados, manipulados, usados, escravizados, destruídos... Pode ser que tenhamos um profundo amor e respeito pelo “Corpo de Cristo vivo e presente na Eucaristia”, e não O vejamos nos “corpos” que estão aqui, ali, lá, por todos os lados. “Não nos devemos envergonhar, não devemos ter medo, não devemos sentir repugnância de tocar a carne de Cristo” (Papa Francisco)

É esse o sentido que a festa de “Corpus Christi” nos revela, ou seja, a festa do Corpo Histórico e Humano de Jesus, corpo prazeroso e sofredor, amado por muitos e muitas, rejeitado, crucificado, morto e ressuscitado. Esta é também a festa do grande Corpo de Cristo que é a Humanidade inteira. Corpo real de Cristo são especialmente todos os que sofrem com Ele no mundo, os enfermos e famintos, os rejeitados e encarcerados, os pobres e excluídos... Eles são a humanidade ferida no Corpo do Filho de Deus.
Corpo de Cristo é também o universo inteiro, criado por Deus para que nele se encarnasse e habitasse seu Filho. Assim Jesus, na Ceia, ao tomar o pão e o vinho em suas mãos, abraça os bilhões de anos de evolução e chama-os de seu Corpo e de seu Sangue. Cada cristão, ao fazer “memória” do Corpo de Jesus, entra em comunhão com todas as energias da Criação.
Corpo de Cristo que continua sendo o Pão, fruto da terra e do trabalho dos homens e mulheres, todo pão que alimenta e é compartilhado, em fraternidade, a serviço dos que tem fome.

“Corpus Christi” também nos motiva a perguntar: Como viveu Jesus, em sua corporalidade, a relação com o Pai, com os outros e com a natureza? E como nós somos convidados a viver nossa corporalidade?
Jesus não compactuou com a visão dualista do ser humano (corpo e alma). Para Ele, tudo era sacramento, epifania de Deus, revelação do Reino, história de salvação...
Jesus escandalizou a muitos proclamando que o “puro” ou “impuro”, não está fora, em ritos e prescrições. Não são impuros os enfermos, as mulheres menstruadas, os leprosos, as prostitutas...; a “pureza” está no coração que nos permite um olhar límpido, não possessivo, egoísta, invejoso ou violento...

Jesus levou muito a sério a questão do corpo, o seu e o das pessoas que encontrou ao longo de sua vida. Cuidou do seu descanso e o daqueles que com Ele compartilhavam o mesmo caminho; deixou-se acariciar e ungir sua cabeça e seus pés com perfumes valiosíssimos por algumas mulheres, algumas delas malvistas pelos rótulos preconceituosos que os varões lhe impunham, agradecendo esse gesto fruto de um amor sem cálculos; curou corpos atrofiados pela doença e fragilizados pela exploração... Os Evangelhos nos situam Jesus no nível da corporalidade próxima: é Ele que sabe olhar, tocar, sustentar, acariciar...

Se fixarmos nossa atenção em Jesus na última Ceia, descobriremos que suas palavras (“isto é, o meu corpo”) e seus gestos (partir e repartir o pão) constituem a essência afetiva e social (de amor e justiça) do cristianismo, a verdade central do Evangelho.
Eucaristia é “Corpo” e é corpo doado e partilhado, não pura intimidade de pensamento, nem desejo separado da vida. A Eucaristia é Corpo feito de amor expansivo e oblativo, que se expressa no trabalho da terra, na comunhão do pão e do vinho, no respeito mútuo frente o valor sagrado da vida, no meio do mundo, nas casas de todos... Não são necessários grandes templos e nem suntuosas procissões para celebrar a festa do Corpo de Deus; basta a vida que se faz doação e partilha, no amor, como Jesus fez.

Diante do Corpo de Cristo, nosso corpo se plenifica na comunhão com outros corpos, com Deus e com o corpo da natureza. Nosso humilde corpo é parte da Criação inteira e nosso bem-estar faz sorrir a natureza.
Aqui precisamos encontrar a justa proximidade para nos relacionar com o corpo e estabelecer um vínculo sadio com ele. Afinal, nossas maneiras de nos relacionar estão configuradas por ele. Não há experiência de amor, e por isso não há experiência de Deus e dos outros, que não ocorra em nosso corpo.
O nosso corpo nos pede espaço, tempo, atenção, alimento e, sobretudo, nos pede descanso e bem-estar, inspiração e contemplação... O corpo não é só a unidade de nossos membros, mas a presença de nossa pessoa; por ele estamos e somos.

O corpo é o companheiro inseparável de nosso caminho. É preciso senti-lo, percebê-lo, escutá-lo. Mas é preciso ir mais longe: podemos afirmar que o corpo se transforma em caixa de ressonância da “voz de
Deus” que nos previne contra caminhos equivocados e nos orienta para uma vida natural e plena.
O corpo é “lugar” teológico, lugar da manifestação de Deus; neste sentido é morada do divino, habitação do Espírito, enquanto participa, pensa, sente, deseja, decide...
Quem não escuta nem percebe seu corpo não pode compreender o sentido da vida, do amor, das relações... pois cairá no narcisismo de seu próprio ego.

Não é possível viver feliz sem relações amistosas e próximas com o corpo, para poder entendê-lo e expressar-se adequadamente com ele. Para conhecer-se é necessário acolher o corpo, querer o corpo, observar o corpo, olhar para dentro do próprio corpo, com atitude reverente.
Minha própria casa é meu corpo; o templo onde Deus se revela a mim. Só eu posso habitar e possuir meu corpo. Eu me identifico com meu corpo, sem o qual não posso viver. Deus, com seu Espírito, anima meu corpo; mas não pode habitar em mim a graça de Deus sem a colaboração e a abertura de meu corpo.

Nosso corpo constitui nossa presença no mundo; a acolhida do próprio corpo nos projeta para uma relação sadia com o corpo do outro; é o cuidado do corpo do outro que determina nossa relação com Deus (Mt. 25,31-46). O corpo do ferido, do faminto, do preso... tornam-se “territórios sagrados” onde crescemos e nos humanizamos; são os “lugares” nos quais Deus revela seu rosto compassivo.

O corpo é um documento histórico: há corpo burguês e corpo proletário, corpo de cidade e corpo de roça; há corpos explorados e corpos que são só força de trabalho; corpos que são modelos anatômicos; os “corpos empobrecidos” gritam a Deus por justiça, por alimento, por saúde e por novas relações entre os humanos e o cosmos, gritam a Deus por viver.
O corpo desrespeitado, expropriado e dominado de muitas pessoas, clama a liberdade, a paz, a vida.
O corpo é lugar de êxtase e de opressão, de amor e de ódio, lugar do Reino, lugar de ressurreição.
O corpo é espaço de salvação, de justiça, de solidariedade, de acolhida, é lugar da experiência de Deus, da celebração, da festa, da entrega... Celebrar “Corpus Christi” é “cristificar” nossos corpos.


Texto bíblico: Mc. 14,12-16.22-26
Corpo de Cristo
Olhos inquietos por verem tudo. 
Ouvidos atentos aos lamentos, aos gritos, aos chamados.
Língua disposta a falar verdade, paixão, justiça…
Cabeça que pensa, para encontrar respostas e adivinhar caminhos, para romper noites com brilhos novos.
Mãos gastas de tanto servir, de tanto abraçar, de tanto acolher, de tanto repartir pão, promessa e lar.
Entranhas de misericórdia para chorar as vidas golpeadas e celebrar as alegrias.
Os pés em marcha em direção a terras abertas e a lugares de encontro.
Cicatrizes que falam de lutas, de feridas, de entregas, de amor, de ressurreição.
Corpo de Cristo… Corpo nosso.       (José María Olaizola, SJ)
 “Tomai, Senhor, e recebei”, toda minha corporalidade, com suas pulsões, seus limites e sua energia profunda. Que não fique nada em mim onde Tu não entres. Nenhum quarto escuro nem fechado que não seja invadido por Ti”.

Pe. Adroaldo Palaoro, SJ




terça-feira, 31 de outubro de 2017

AVALIAÇÃO DO 45º CRISJOVEM

PJoteiras e PJoteiros!!!
O nosso 45º CRISJOVEM foi um momento lindo de muita animação, formação, vivência de uma espiritualidade Mariana, libertadora e encarnada e de esperançar novos horizontes na construção e realização da Civilização do Amor.
Nós, da Coordenação Arquidiocesana da PJ Salvador, pedimos a todas e todos que participaram do 45º CRISJOVEM que respondam essa breve avaliação (não vai levar nem 5 minutos e dá pra responder através do celular) para nos ajudar na construção e melhoria das nossas próximas atividades.
Link para Avaliação do 45º CRISJOVEM: https://goo.gl/4YjLkY
Que a paz inquieta permaneça com cada um/uma de nós! Imagem inline 1


#CRISJOVEM2017 #PJSALVADOR #PJEUACREDITO #PJRumoAos50Anos #OQueNosImpulsionaÉoAmor


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Agradecimento do 45º CRISJOVEM

“A história da Pastoral da Juventude é tecida com muitas mãos e feita em mutirão. E, na construção e realização do 45º CRISJOVEM não foi diferente. Muita gente, de diferentes formas e jeitos, trouxeram vida, cor e sabor para essa grande celebração da vida dos grupos de jovens no Dia Nacional da Juventude.
Nós, da Coordenação Arquidiocesana da Pastoral da Juventude de Salvador, queremos agradecer primeiramente a Nossa Senhora Aparecida, nossa Negra Mariama, que intercedeu a todo momento na nossa ação pastoral em 2017 e, em especial, disponibilizando duas mulheres para a condução do nosso 45º CRISJOVEM, e ao seu Filho que está sempre a acalentar nossos corações atendendo nossos sonhos.
Gratidão a todas e todos que se doaram e se dedicaram para realização desse sonho que não é (e jamais será) sonhado só, é sonho que sonhamos em mutirão, impulsionados pelo amor, na garantia da vida em abundância de todos e todas e para concretização da Civilização do Amor.
Gratidão aos grupos de jovens, que construíram e que participaram do nosso CRISJOVEM. É e sempre será com vocês que faremos esse sonho ser realidade! Gratidão a quem rezou e sonhou cada detalhe para que a vivência no 45º CRISJOVEM renovasse as esperanças e fosse um gesto de defesa e celebração da vida da juventude que tantas vezes nos é retirada. Gratidão aos nossos queridos assistentes eclesiásticos Pe. João Pedro e Pe. Josuel e, também, ao nosso amado Pe. Lázaro pelo cuidado, acompanhamento, incentivo e amor a PJ Salvador. Gratidão ao Instituto Nossa Senhora do Salette pela parceira e por ser o nosso espaço para aconchego. Gratidão a Banda Redenção e a Banda Engenheiros da Fé por animarem tão bem o nosso dia. Gratidão a Dom Estevam, a Dom Gilson e a Dom Marco Eugênio. Gratidão a quem veio de terras distantes e faz parte do regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe) pelo cuidado, amor e disponibilidade. Gratidão a Ação Social Arquidiocesana (ASA) pelo cuidado, pela parceria e encorajamento. Gratidão a Brenda Gomes, Camila Borges, Carlos Nunes, Claudinha da Silva, Diogo Gomes, Elis Souza, Frei Marcondes, Hildete Emanuele, Ir. Lena, Ir. Lia, Leandro Miranda, Matheus, Mayara Silva e Sandro Sussuarana pela maravilhosa condução dos nossos plenárinhos. Gratidão a Companhia Teatral Nahara por colorir, através da arte, o nosso dia. Gratidão a vereadora Marta Rodrigues, a Pastoral Familiar Arquidiocesana, a Fraternidade de Pessoas com Deficiência (FCD), ao Colégio Marista, a Editora Vozes, a CNBB, aos funcionários da Cúria Metropolitana Bom Pastor pela paciência e amizade e a todas as pessoas que contribuíram das mais diversas formas e que são responsáveis, também, pela grandeza e lindeza do nosso CRISJOVEM. Somos muitos e muitas e essa certeza nos fortalece e reacende a chama da esperança de que outro mundo é possível, aqui e agora, e o estamos fazendo.
E continuamos arrumando a casa e preparando o coração esperando a chegada de 2018 para dançarmos na linda ciranda da vida com a celebração dos 50 anos da Pastoral da Juventude em Salvador. E, até que voltemos a nos (re)encontrar que Deus nos guarde no calor do seu abraço.